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Sobre a marca Reserva e o que não fazer nas redes sociais

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E o marketing da Reserva falhou. Mais uma vez.

Não sei se você já viu a nova campanha de dia dos namorados da Reserva. Se você já viu, provavelmente está tão constrangida quanto eu fiquei. Se você ainda não viu… nem se dê ao trabalho.

É muito louco que em pleno 2018 a gente ainda tenha que aturar campanhas desrespeitosas e constrangedoras de grandes marcas, mas cá estamos nós mais uma vez vendo mais uma campanha completamente desastrosa da Reserva ser iniciada.

Basicamente, a campanha de dia dos namorados (que aparentemente começou hoje) foi iniciada com uma postagem que te instrui a aumentar o som… pra ouvir o famigerado, e convenhamos, muito ultrapassado, gemidão do zap. Sugestivo? Pode até ser bem sugestivo pra quem não deve fazer sexo at all. Pra quem tem uma mínima noção sobre sexualidade, essa campanha só gera constrangimento mesmo.

A campanha não acaba por aí, a postagem seguinte também vem com a mesma tentativa miserável de um tom sugestivo: um biscoito sendo molhado numa xícara de café com o dizer “molha”. Gente, é campanha de dia dos namorados mesmo? Para adultos? Porque, na boa, parece que mirou no público adulto e acertou na sétima série, aquela galera que ri quando a professora pede pra abrir o livro na página 69, sabe?

Dá pra piorar? Dá! Marketing que erra existe, é até normal, mas o pior é o marketing que erra, insiste no erro e não aceita as críticas do público. E obviamente foi exatamente isso que o marketing da Reserva fez e ainda está fazendo: deletando comentários que fazem críticas negativas à campanha e respondendo que o intuito da campanha era falar sobre o dia dos namorados de uma maneira descontraída e respeitosa.

Mais uma parte da campanha, que não foi pro instagram (ainda) mas foi pro site é uma foto de um casal hétero na qual o homem está cobrindo o seios da mulher com um par de sapatos. Nossa. Groundbreaking, Reserva, percebemos que foi uma campanha muito bem elaborada.

Vamos começar pelo óbvio: sexualização não é legal. Não apelem pra sexualização. Sexualizar mulheres então, na boa, já passou, é ultrapassado pra caramba. Marketing é, ou pelo menos deveria ser, sobre inovação, sobre novos meios de comunicar uma ideia, uma marca, uma coleção ou o que for. Eu honestamente achei que a gente tinha superado o apelo pra sexualização. Até os comerciais de cerveja já superaram isso. Pelo visto a Reserva ainda não superou nem conseguiu encontrar uma maneira mais eficaz de promover uma campanha.

Outra coisa: não é com gemidão do zap e gif de biscoito sendo molhado que vocês vão tratar o sexo de uma maneira respeitosa. Novamente, parece que a campanha foi feita pra pré-adolescente, a única galera que a gente não entende mas ainda aceita (sem grandes julgamentos) falar coisas como “molhar o biscoito”, “afogar o ganso”, “descabelar o palhaço” e derivados.

Fazer o dia dos namorados ser puramente a respeito de sexo é uma campanha bem burra no final das contas, principalmente se a marca pretendia promover uma abordagem respeitosa. Não é possível que a Reserva não tenha aprendido absolutamente nada com os debates sobre gênero e sexualidade que fervilharam não apenas nas redes sociais mas na própria sociedade offline como um todo. A gente superou muita coisa, principalmente formatos velhos e ultrapassados de publicidade, e se você não consegue se adaptar a essas mudanças então talvez você não devesse mais estar no mercado.

Resumindo, mais uma vez a Reserva lança uma campanha que parece ter sido idealizada por aquele tiozão que só aparece quando tem um churrasco de família e que fala umas coisas sem graça e um tanto constrangedoras depois de duas latinhas de cerveja barata. No final, não ter uma equipe de marketing e ter a equipe de marketing que a Reserva tem parece ser praticamente a mesma coisa.

Autor: Branca Carrerette (Fonte Blog Cariocando)

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